Palace Hotel - Caxambu

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Olavo Onunlavo - Os Fantasmas da Prefeitura ´- Ou a ópera bufa da tragicômica situação que vivemos na atualidade

Olavo Onunlavo
Os Fantasmas da Prefeitura - Ou a ópera bufa da tragicômica situação que vivemos na atualidade


Apesar de longos anos vividos em minha provecta idade, confesso aos meus abnegados leitores que nunca presenciei tamanho baixo astral em minha querida cidade de Caxambu. 
Não pretendo discorrer aqui sobre uma suposta "maldição de Nhá Chica", ou mesmo a prosaica "caveira de burro" enterrada em algum lugar misterioso. Tais elocubrações não passam de ingênuas superstições diante do apavorante  fenômeno que se abateu como uma nuvem pestilenta  sobre essa gente tão sofrida e desprezada. 

Alguns funcionários(concursados) que ainda trabalham na prefeitura, juram de pés juntos que o local é assombrado por criaturas estranhas e sinistras - que vivem nas sombras e habitam os recantos mais obscuros, movimentando-se sorrateiramente pelo limiar da existência - verdadeiros obsessores e espíritos imundos - que se dedicam dioturnamente a drenar forças e parasitar os parcos recursos vitais do município .

Como descrito na  celebérrima obra de Loyd Weber, "O Fantasma da Ópera", cheguei inicialmente a suspeitar que tais manifestações telúricas pudessem ser oriundas do velho cinema - cujo equipamento original foi desativado em nome da modernidade de toda a parafernália eletrônica hodierna. Porém, pelo que pude constatar desse enredo surreal e inacreditável, trata-se de uma verdadeira ópera bufa, encenada apenas para iludir, enganar e ludibriar aqueles que querem enxergar a realidade. Uma espécie de malabarismo virtual, destinado a confundir tanto a opinião pública quanto a fiscalização e os cidadãos.

Tudo é fachada ou mero truque de ilusão, destinado a ocultar a vergonhosa realidade daquelas repelentes criaturas que rastejam entre o que existe de pior entre os dois mundos.

Investigando as causas de tamanha infestação sobrenatural, também cheguei a temer que o imóvel estivesse abrigando energias esquecidas de antigos hóspedes, arrastando correntes pelos corredores do antigo hotel desativado. Entretanto, o clima de opressão e medo que se verifica naquele local é bem real e  ocorre em plena luz do dia. Nota-se claramente que alguns servidores pronunciam em voz baixa o nome de entidades malignas que assolam o ambiente. 

Dizem que as paredes tem ouvidos, e eu prefiro mil vezes a tranquilidade de poder "quentar" ao sol de minha plácida varanda, na companhia de pardais e passarinhos, do que me atrever a discorrer sobre criaturas tão nefandas - que são afastadas apenas aa custa de jejum e muita oração. Credo!

Olavo Onunlavo