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sexta-feira, 3 de março de 2017

O Globo veicula reportagem isenta, mas dois dias depois publica editorial com argumentos desonestos contra legalização dos jogos

O Globo veicula reportagem isenta, mas dois dias depois publica editorial com argumentos desonestos contra legalização dos jogos


No domingo de Carnaval (26) O Globo veiculou reportagem sob o título “Jogos de azar, entre o lobby e o risco” em que o jornal carioca -  de linha editorial contrária a legalização dos jogos –, tenta ser isento. Mas em se tratando do O Globo, a reportagem de página inteira e com complemento no portal Globo Online chega até a ser positiva devido a abordagem, pois mostrou os problemas da legalização como o jogo patológico, mas também abordou a exportação de jogadores e os mercados que arrecadam com o jogo legal através das seguintes reportagens: ‘Jogo de pressões na roleta do azar’, ‘Voo fretado leva brasileiros para cassinos’, ‘Rotina dentro de um bingo clandestino’, ‘Jogadores patológicos’ e ‘Macau: capital dos jogos’.
“Sempre existirá posições contrárias em relação aos jogos, mas o pior dos quadros é a clandestinidade, que alimenta os crimes paralelos e a impossibilidade de regras claras, que transformam em riscos calculados todos os problemas oriundos da patologia dos jogadores e os riscos inerentes à lavagem de dinheiro em cassinos e ambientes de jogos”, comentou Osmar Moraes, ex-chefe do Gabinete do deputado Nelson Marquezelli.
Positiva e esclarecedora
Na segunda-feira (27), o Globo Online voltou a veicular uma nova reportagem sob o título ‘Perguntas e respostas sobre jogos de azar’ em que o jornal faz uma análise dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e uma análise do mercado de jogos do país. Muitos dos dados são do conhecimento dos leitores do BNL, pois foram gerados e produzidos a partir do Estudo do Mercado de Jogos Legais e Ilegais do BNL/IJL. Inclusive, o editor desta página foi uma das fontes ouvidas pela repórter especial do O Globo, Letícia Fernandes.  
O Globo voltou a ser O Globo
Mas nesta terça-feira (28), o jornal O Globo voltou a ser a ‘Dona Santinha do Século XXI’ ao veicular editorial sob o título 'Aposta no prejuízo' contra a legalização do jogo usando argumentos desonestos e tão infantis que afrontam a inteligência dos próprios leitores do jornal carioca.
“O editorial de O Globo é mal-intencionado, mal informado e desonesto intelectualmente, além de contraditório. A sociedade brasileira não rechaçou o jogo. Alguém já se perguntou por que existem tantos cassinos na fronteira do Brasil com nossos vizinhos Uruguai, Argentina e Paraguai? Claro que é para pegar dinheiro dos brasileiros. O jornal não admite que hoje o jogo no Brasil é permitido, apenas para o governo. É a pior loteria do mundo. O governo odeia concorrência. Por que não legalizam e recolhem impostos e dão empregos?”, comentou o advogado especialista em jogos e apostas e ex-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro – LOTERJ.
Além do editorial, o jornal veicula artigo favorável a legalização dos jogos sob o título ‘Impacto no Turismo’ de autoria do advogado Bruno Castello Branco.
Até os leitores contra O Globo
O mais curioso deste processo é que a própria editoria de opinião do jornal ‘Dos Leitores’ veicula duas cartas que servem como reposta a retrógrada opinião do jornal.

LEGALIZAÇÃO DO JOGO
“Já passou da hora de o Brasil legalizar jogos de cassinos e mesmo outros jogos populares que estão em todas as cidades brasileiras, como o jogo do bicho. Com a legalização e a formalização de seus trabalhadores, o impacto na economia seria gigantesco, aumentando a receita da arrecadação de impostos (que deve ter uma carga tributária pesada para os jogos de azar) e melhorando as taxas de emprego no país. Querendo ou não, já vivemos num país com jogos em cada bar e esquina, sem gerar um único centavo em impostos e aumentando a disputa de grupos armados e a violência.” Carlos Fabian Seixas de Oliveira - Campos dos Goytacazes, RJ.
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“Desde abril de 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu jogos de azar no Brasil, apenas fechou o Salão Mauá, no Palácio Quitandinha, em Petrópolis, fazendo esparramar nas mansões de gente rica tipos de jogos considerados pequenos. Quando as apostas ultrapassam US$ 10 mil, essas pessoas passam a jogar em cassinos de Argentina, Uruguai, Bahamas e Las Vegas, com viagens preparadas em pacotes pelas agências especializadas, fretando aviões com passagens e hospedagens pagas, incluindo despesas das famílias e dos políticos convidados. Se essa é situação de fato, e se considera nocivo à sociedade, cabe ao governo aceitar a realidade e encontrar uma solução que atenda ao bem-estar do povo e dos governantes que tanto cobiçam os impostos.” Tossi Kassae, Rio.

Para compensar as cartas favoráveis a legalização do jogo, no mesmo dia do editorial, O Globo veiculou nesta quarta-feira (1º) uma manifestação contrária com os mesmos argumentos míopes e conservadores dos editores do jornal.

JOGO EM DEBATE
“A crise econômica que nos abate tem ensejado que autoridades, a soldo do poderoso lobby do jogo, façam pressão pela sua legalização. Contam também com inocentes úteis, que, candidamente, creem nos fantásticos benefícios de tal medida: inimaginável arrecadação de impostos, empregos a rodo etc. Em vez de quimeras fantasiosas, não seria melhor valorizar a educação, o trabalho, o empreendedorismo e a ética na política?” Gui Ferler, Rio.

Nove editoriais contrários em 14 meses
Pela nona vez nos últimos 14 meses, O Globo veicula editorial contrário a legalização dos jogos no país. Os outros sete foram ‘Um alto preço’ (04.01.2016), ‘Ajuste não pode justificar a legalização do jogo’ (24.02.2016), ‘Aposta temerária’ (07.03.2016), ‘Ideia danosa’ (13.06.2016), ‘Legalizar o jogo é inadequado e eticamente condenável’ (05.07.2016), ‘Liberar o jogo tem custo social e criminal’ (22.07.2016), ‘Ganhos enganosos’ (22.08.2016), ‘É crucial manter o alerta contra o lobby do jogo’ (28.10.2016) e 'Aposta no prejuízo' (28.02.2017). Em todas as oportunidades, a ‘Dona Santinha’ do jornalismo repete os mesmos frágeis argumentos, além de uma visão míope sobre o jogo legalizado.

Magnho José


Fonte: BNL