Palace Hotel - Caxambu

domingo, 24 de novembro de 2013

Novo Artigo de Tom Custódio da Luz

Tom Custódio da Luz, 22, escritor, compositor, cantor e músico, catarinense e residente em São Paulo(SP). Seus artigos podem e estão sendo publicados pelo País, inclusive no exterior.-Jornal BB Orlando Flórida (EUA) – Jornal Cultura Luanda (Angola). Mais de 48.000 curtidas em seu FB e mais de 14.000 exibições de sua Música (E Agora,Tião?) no YouTube .

Foto - jornais
 
Cena final, interior, noite, apartamento 13
 
- ... o mistério. Ela falava por meio de enigmas, e perguntei de todas as maneiras que podia, fui o mais claro possível... - ele interrompe de súbito a conversa e afasta a boca do telefone ao ouvir o barulho. Varre a sala rapidamente com os olhos e olha para o corredor depois da porta. Larga o telefone que fica pendendo pelo fio. Do outro lado da linha a voz degolada: Alô? Cê tá aí?
Caminha em direção do portal e o cruza. Percorre o corredor até o quarto. A janela aberta, as cortinas balançando ao vento, mas nada que tivesse caído no chão. Nada também atrás e dentro do armário ou embaixo da cama. Ele fecha silenciosamente as janelas antes de sair em direção da cozinha. Chegando lá olha ao redor e, com muito cuidado, embaixo da mesa. Vai até a janela entreaberta e fecha-a também, sem fazer qualquer ruído. Segue a passos mudos pelo corredor de volta até a sala onde, depois de uma verificação, nota que as coisas se mantinham como há pouco. Destrava as portas duplas de madeira que davam na sacada e fecha-as, depois as cortinas. Vai até a porta de entrada.
Verifica que as duas trancas estão como as deixara mais cedo. Olha pelo olho mágico para o corredor escuro do prédio, vagamente iluminado por um luar fraco e nevoento através da lente. Fica assim com o rosto e as mãos espalmadas colados à porta por algum tempo, vendo algo, ou aguardando ver (?). Passados alguns minutos, como se perpassado por um calafrio, sobressalta-se e olha rapidamente para trás. Não há ninguém. Afasta-se da porta e vai até o banheiro.
Hesita antes de entrar. Cautelosamente espia e entra sem acender a luz. Vai até o chuveiro e lentamente ergue a mão para afastar a cortina. Puxa-a devagar. Nada. Entra no chuveiro para fechar a janelinha dupla.
Vai até a pia e encara-se no espelho, o banheiro escuro, o rosto quase indiscernível na escuridão. Aproxima o rosto do vidro. - Na cozinha quatro botijões de gás abertos, vazando - Aproxima-se ainda um pouco, a superfície embaça com o seu hálito. Olha cada vez mais de perto o olho do seu reflexo, como se buscasse ver melhor algo ali, lá, na distância remota do fundo do olho, havia uma figura mal identificável à distância e da qual ele se aproximava - o nariz já encostado no vidro. No fundo, após quilômetros de vácuo escuro, havia um homem metade gente e metade cabrito, que o olhava de volta com olhos agudos e sorria!, aberta e malevolamente, arreganhando a boca. O homem aproxima as duas mãos à frente do corpo: numa um palito, na outra uma caixa de fósforos.
Na sala o telefone pendia pelo fio: Alô? Tem alguém aí?