Palace Hotel - Caxambu

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A SEGUNDA VISITA DO CONDE D’EU À CAXAMBU
Por Antonio Clarét Maciel Santos

Conhecida de todos é a visita do casal Conde D’Eu e Princesa Isabel, à região do Sul de Minas Gerais em 1868, mais precisamente à Vila do Caxambu, Baependy, Campanha, Christina, Itajubá, com retorno à Corte, após visita à Guaratinguetá, então local de peregrinação em virtude de Capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Sabe-se que tal viagem ocorreu num momento em que o Conde D’Eu se encontrava em atrito com seu sogro, o Imperador D. Pedro II, que lhe negava qualquer participação no Governo, o que levou o Conde a pedir licença por seis meses para realizar o veraneio ao Sul de Minas Gerais e aproveitar para que a Princesa, com precária saúde, usasse as águas minerais cuja fama corria o Império.
Passados exatos 16 anos daquela viagem, em setembro de 1884, o Conde D’Eu empreendeu outra pela região sul mineira, desta vez sem a companhia da Princesa, mas com assessores, através da então novel Estrada de Ferro, denominada Rio and Minas , ou “Rio Verde”, mais tarde Rede Mineira de Viação cujo início era a cidade paulista de Cruzeiro e o fim a cidade de Três Corações. Referida estrada, inaugurada em maio de 1884, com a presença da Família Imperial, proporcionou incomensurável progresso à região, cujo acesso ao vale do Paraíba, até então, era feito de liteira ou a cavalo, a partir da Estação Boa Vista, localizada próxima da atual cidade paulista de Queluz. Após a inauguração o transporte de passageiros e mercadorias do Rio de Janeiro ou São Paulo para a o sul da Província de Minas Gerais passou a ser feito por via férrea, a partir de entroncamento localizado em Cruzeiro, que sediava uma das estações da Estrada de Ferro Dom Pedro II, conhecida como Central do Brasil.
Assim, após cumprir agenda em Três Corações e Campanha, a comitiva imperial, no retorno para Cruzeiro, desembarcou na Estação de Contendas em 27 de setembro, onde a aguardava grande número de pessoas da comarca de Baependy, com destaque para o Coronel Justo Maciel, futuro Barão, José Lúcio Carneiro e Joaquim Jose Bernardes, todos fazendeiros nas proximidades. Após almoço na Fazenda de José Lúcio Carneiro e café na de Joaquim Jose Bernardes, prosseguiu a caravana até a Vila do Caxambu, onde chegou por volta das 17 horas.
Grande queima de fogos e música, tudo custeado pelos senhores Costa Guedes e Policarpo Viotti, ocorreu no momento em que o Conde adentrou o Hotel Ferreira, de propriedade de Constâncio Joaquim Ferreira, onde se hospedou.

 À noite houve um “profuso e delicado jantar”, como descreve o Jornal “O Baependyano”, ao qual compareceram além dos integrantes da comitiva imperial, o Coronel Justo Maciel, o Promotor Público Dr. Catão Júnior que proferiu discurso e os hóspedes do hotel. No dia seguinte, o Conde, após missa na Capela de Nossa Senhora dos Remédios, celebrada pelo Padre Corrêa, que na ocasião veraneava na Vila, visitou a colina onde, em 1868, fora lançada a pedra fundamental para a construção da igreja dedicada à Santa Isabel da Hungria, promessa da Princesa Isabel, tendo na ocasião sido a ele apresentada a planta da futura construção, em estilo gótico, oportunidade em que o Conde disse “é de gosto inexcedível, talvez superior à de Petrópolis”. Na ocasião foi instituída a Comissão de Obras, integrada pelo Coronel Justo Maciel, Vigário Marcos, Comendador Mattos, presidente da Câmara de Vereadores de Baependy, Dr. Viotti e o Capitão João Carlos, proprietário do Hotel João Carlos.
Na madrugada de 29, após alvorada musical, a comitiva partiu rumo à Estação de Soledade para embarque para Cruzeiro, de onde seguiu para a Corte.
Vale anotar que na ocasião, a Vila de Caxambu, sem nenhuma rua calçada, possuía 11 hoteis, com destaque para o Ferreira, Caxambu, Lima, Chico da Ponte, João Carlos, Brazil e Mitão, este de propriedade do avô do futuro e renomado escritor paulista Oswald de Andrade.

Fonte: Fazenda Rozeta