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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Jornal O TEMPO - Festival Mundial de Circo volta a BH, a partir desta quarta-feira, com a face teatral e musical do picadeiro


Festival Mundial de Circo volta a BH, a partir desta quarta-feira, com a face teatral e musical do picadeiro



“Estou chamando a edição deste ano de ‘resistente’”. É assim que a coordenadora do Festival Mundial de Circo, Fernanda Vidigal, define a 17ª edição do evento, que será realizado entre esta quarta-feira (21) e domingo (25), no Galpão Cine Horto. Isso porque a mostra circense, que ocorre desde 2001 ininterruptamente, ficou dois anos seguidos sem passar por Belo Horizonte – em 2015, o festival foi realizado em Caxambu, cidade do Sul de Minas, e, no ano passado, no Rio de Janeiro. “A gente sentiu que precisava retornar, já que foi aqui que tudo começou”, pontua.

Para muito além disso, o festival – primeiro evento internacional dedicado ao circo no Brasil – tem em sua essência a persistência em mostrar ao público a produção circense feita aqui e no mundo inteiro. E produção de qualidade. Em 2016, houve 200 inscrições para o festival. Destas, foram selecionadas apenas sete. Dentre elas, o espetáculo “Dois” (Finlândia/Brasil), montagem dos irmãos belo-horizontinos Luís e Pedro Sartori, que abre o festival e foi produzida na Finlândia.

“Fizemos o recorte com jovens artistas no mundo inteiro. Este ano é legal que, muito mais do que números, os artistas se apresentarão com espetáculos. Haverá uma mistura entre música e circo. A proposta é legal, porque criamos um produto inédito e proporcionamos diversos encontros”, diz Fernanda.

Além do espetáculo “Dois”, na programação está incluída a Mostra de Números Circenses, que reúne artistas de Brasil, Uruguai, Argentina, Peru e Itália, divididos em dois dias de apresentação no Galpão Cine Horto. As sessões serão intercaladas por shows de Sylvia Klein e Marcelo Veronez, que cantarão juntos no sábado, e de Marina Machado e Júlia Branco, que unirão suas vozes no domingo.

‘Piscou, perdeu’. Desde quando começou, em 2001, o festival se apresenta em diversos formatos, como explica Fernanda. “Costumo dizer que já passamos por tudo e em diversos formatos: grande, médio ou pequeno”, diz. Neste ano, Fernanda considera que o festival está menor, devido à quantidade de dias e ao fato de as apresentações ocorrerem em local fechado. Na edição de Caxambu, por exemplo, a mostra ocorreu durante nove dias, com espetáculos acontecendo sob a lona.

A efemeridade dos dias foi um dos motivos para o festival brincar com a expressão “piscou, perdeu”, que permeia toda a mostra. “Já fizemos festivais temáticos e não temáticos. Este ano, resolvemos brincar com o ‘piscou, perdeu’ por dois motivos: o primeiro é que, se você se distrai, você pode perder uma parte importante do espetáculo, como um truque de mágica ou o momento em que o trapezista dá a mão para o outro. E também porque essa edição é pequena em quantidade de dias”, diz.

História entre irmãos. O espetáculo “Dois”, uma das principais atrações do evento, por exemplo, bebe na fonte do circo, mas dialoga muito mais com o teatro. Concebido pelos irmãos Luís e Pedro Sartori, o espetáculo “quase não é circo. É mais teatro físico e visual”, como afirma Luís. “É a nossa forma de fazer circo contemporâneo”, completa.

O artista afirma que a relação com o teatro tem a ver com a dramaturgia do espetáculo. “Tínhamos vontade de fazer uma criação juntos. Então, há pouco mais de dois anos ficamos procurando o que tínhamos em comum. Vimos que o arco e a flecha eram um ponto em comum, porque trabalha confiança, mas ao mesmo tempo a diversão, o perigo e a competição”, diz. Esta, aliás, é a primeira vez que o espetáculo será apresentado na cidade. 

Laura Maria

Fonte: Jornal O TEMPO