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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

ABNC - Memorial 10 anos - Contando a história da Beata Nhá Chica

ABNC
Memorial 10 anos - Contando a história da Beata Nhá Chica



Ao longo destes dez anos o Memorial Nhá Chica se tornou referência para os milhares de visitantes que passam pelo lugar onde a Bem-Aventurada Francisca de Paula de Jesus viveu.
O espaço, que funciona anexo à igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Baependi MG, foi montado visando oferecer de forma simples e direta um panorama da trajetória de vida da Beata, com informações importantes, documentos históricos e objetos de uso de Francisca de Paula de Jesus.
A montagem do Memorial Nhá Chica foi um requisito fundamental ao Processo de Beatificação. Inaugurado em 8 de dezembro de 2005, o museu foi organizado com o apoio de diversos devotos.
Uma das responsáveis pelo trabalho foi a designer e empresária baependiana Maria José Turri Nicoliello, que atuou como Presidente da Comissão Histórica do Processo de Beatificação. -"A Irmã Célia Cadorim, então vice-postuladora, nos incumbiu, a todos da Comissão Histórica, de realizarmos também o Memorial. O pedido veio logo após a entrega da documentação que seguiu para o Vaticano. Na época Irmã Célia orientou assim: o que tiver na casinha, os bens móveis, permanecem lá, pois cria-se um outro local de visitação. E o Memorial pode ser feito com outras peças; então partimos do zero" - relembra Maria José.
Conceber o novo espaço foi um grande desafio, pois ninguém ali havia realizado algo parecido -"Naquela época, a jornalista Cristina Miguez já fazia alguns trabalhos para a Associação e começou a nos auxiliar no projeto. Estive em Belo Horizonte e lá vi um modelo num novo anexo construído no museu Abílio Barreto. Entrei também em contato com especialistas em museologia da capital mineira que me passaram informações importantes. Fizemos na verdade uma adequação da realidade que tínhamos aqui. Adaptamos por exemplo a parte de baixo das vitrines, para melhor aproveitar o espaço" - conta a designer.
Na época da montagem do Memorial Nhá Chica, a diretora da ABNC era Irmã Magda de Carvalho, que apoiou a construção do novo espaço, cedendo para tal uma sala que fazia parte da casa das religiosas, para funcionar o museu.
Também com a ajuda da colaboradora jornalista, Maria José seguiu para o Rio de Janeiro. Ali tiveram acesso a um especialista para outras orientações da área de museologia.
Bastante ativa no período da montagem do Memorial, a jornalista Cristina Miguez relembra com carinho daquela época - "Há dez anos recebi um “presente divino”: o convite para elaborar o roteiro e os textos descritivos do Memorial Nhá Chica. Me debrucei sobre a história, a vida e a obra da “Santinha de Baependi”, como ela sempre foi carinhosamente chamada. Em seguida, tive acesso a uma série de materiais, documentos e fotos que, com ajuda, selecionei para compor o Memorial. No entanto, meu maior “presente” foi tocar em peças pessoais, como o vestido usado por Nhá Chica. Jamais esquecerei da sensação que tive ao ser conduzida pela Irmã Magda, gestora da época, pelos corredores e salas da Associação até chegar ao local “sagrado”. O tempo parou! Um silêncio maior se fez. Uma paz tomou conta de mim. Estava eu ali, tocando nas peças e roupas dessa Santa mulher.
Talvez tenha ficado apenas 15 minutos nesse local, e nem saberia chegar novamente até ele, mas a presença de Nhá Chica continua comigo até hoje. Forte! Intensa! Uma presença que renovou minha Fé! - emociona-se a jornalista.
Com o apoio que vinha encontrando, Maria José seguiu com o projeto. Corria o ano de 2003 e o espaço foi tomando forma -"Eu tive a idéia de fazer o cenário que temos hoje no memorial retratando como era parte da casa de Nhá Chica. Pedi ajuda ao meu irmão Petrônio que é arquiteto. Ele deu a idéia de fabricar os adobes, para remontar o mais próximo do original. O material foi produzido na Associação Nhá Chica pelo sr. José, funcionário da instituição até hoje, que confeccionou peça por peça feitas de barro. Para a iluminação tivemos o auxílio da arquiteta Renata Pelúcio que se encarregou do projeto e deu toda a orientação necessária" - relembra a empresária.
Para formatar todo o Memorial foram necessários meses de pesquisa, além de contar com a ajuda de diversos devotos que doaram peças que pertenceram à Nhá Chica e que estavam em seu poder -"Pedíamos para as pessoas que tivessem alguma coisa de Nhá Chica, que doassem para o Memorial. Junto com a Cristina nós definimos o que iria entrar, qual seqüência, como seria a exposição. Separamos o que a gente tinha, elencamos o material. E definimos como contar a história" - explica Maria José.
Um dos momentos mais marcantes foi a inclusão da ampliação da foto original da Bem-Aventurada: -"Sabíamos da foto, pois está no livro de Henrique Monat e que tinha sido doada para a Associação pela família Baião de Caxambu, em 1981. E ficamos meses em busca da imagem. Até que a mesma foi encontrada na casa das Irmãs, onde estava durante este período, bem guardada" - recorda.
Ao visitar o Memorial, o devoto conhece a vida de Francisca de Paula de Jesus em seqüência cronológica, percorrendo da esquerda para a direita todas as vitrines.
Na composição do museu, as organizadoras buscaram um roteiro didático com o resgate dos valores de Nhá Chica. Também é destaque no local a reprodução da antiga capelinha construída pela Beata: -"A capela original foi demolida em 1942. Fizemos uma réplica, uma maquete desenhada pelo meu irmão Petrônio, feita em escala, baseada nos dados todos que tínhamos de tamanho, largura, etc., uma reprodução em escala. E o Paulo Pinho, meu cunhado, fez a pintura. Um marceneiro de Cruzília que havia produzido os móveis, foi quem fez também a réplica da capela" - revela Maria José.
O Memorial é ponto de referência para os visitantes com objetos interessantes da Bem-Aventurada, como a sombrinha que ela usava de apoio, uma cadeira que lhe pertenceu, um terço que foi de seu uso pessoal, entre outras importantes referências de sua vida. Para quem atuou na montagem, a certeza de ter contribuído para a perpetuação da história de vida santa de Nhá Chica: -"Fazer isso tudo foi muito bacana, foi um prazer e uma alegria muito grande poder ter contribuído com esta realização.Foi uma ação inédita e importantíssima para o processo de Beatificação. Agradeço mais uma vez todos que nos ajudaram e tenho certeza de que esta foi uma missão sem igual na minha vida, um desafio, pois partimos do nada, do zero e conseguimos transformar o que no início era uma idéia, num espaço que emociona até hoje todos que o visitam" - conclui Maria José.

Fonte: ABNC