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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A MATEMÁTICA POLÍTICA
Por José Celestino Teixeira Teixeira


A morte de alguém sempre é reveladora.
Alguns não morrem.
Sobrevivem!



Como disse Getúlio na sua histórica Carta/Testamento: "Deixo a Vida Para Entrar Na História".
A Carta está lá, em bronze na Principal Avenida de SJDR, aos pés do Monumento ao Getúlio.
Pelo menos estava, até bem pouco tempo.
Oxalá , ainda continue por lá.
Lembro-me sempre da lições do Dr. Tancredo, quando escrevo sobre política.
Uma certa feita durante sua Travessia para a Nova República, quando lhe perguntaram sobre Eleições.
Ele brilhantemente com base em sua vasta trajetória política saiu com esta:
"Em Campanha Política não Tem Segredo.
É pura matemática.
Em eleições só se conjugam duas operações matemáticas: Soma-se e Multiplica-se."
"Além, de nunca ficar contra o Padre, em qualquer eleição Municipal."
De tempera conciliadora soube desde a Revolução de 30 passando pela vereança em São João Del Rei, pela Assembleia Legislativa do Estado, Câmara Federal e Senado.
Foi primeiro Ministro no curto Regime Parlamentarista (que assegurou a Posse do Vice João Goulart, como Presidente).
Chegou a ser eleito via Colégio eleitoral, como Presidente do Brasil e, quis a história que não tomasse posse.
Vitimou-se de uma doença que desnudou as chagas da péssima realidade da estrutura da Saúde Pública no Brasil.
Fato que perdura até hoje.
Mas, ao que parece na atualidade a capacidade conciliatória, não se acha em voga no Brasil e no Mundo.
A Diplomacia como instrumento de conciliação e paz na solução de conflitos entre nações soberanas foi uma conquista da humanidade.
Desprezá-la seria o Caos.
A Velha República teve na figura de Milton Campos (UDN),Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK) e Tancredo foram ímpares na Arte da Conciliar.
A articulista política Marly Motta, em delicioso artigo (in FGV- CPDOC - O Governo de Juscelino Kubitschek) cita a obra "JK", do Jornalista Cláudio Bojunga e, nos brinda:
"No âmbito da luta político-parlamentar, sem armas mas igualmente acirrada, JK colocaria em prática sua concepção da política como a arte de transformar adversários de hoje em aliados de amanhã. Construiu pontes de entendimento com correntes udenistas, especialmente as lideradas por Juraci Magalhães, no intuito de angariar apoios para a aprovação de seus projetos no Congresso – a transferência da capital para Brasília, entre outros –, ao mesmo tempo que procurava isolar politicamente os ruidosos parlamentares da "Banda de Música", como Afonso Arinos."
"No imaginário político brasileiro, essa dicotomia – o demolidor x o conciliador – aparece intimamente relacionada a certas caraterísticas particulares que marcariam os políticos das várias regiões brasileiras. Carlos Lacerda, o "tribuno da capital", sempre teve como palco de atuação a cidade do Rio de Janeiro – antigo Distrito Federal, depois estado da Guanabara –, cujo campo político era marcado pela nacionalização, a polarização e a radicalização do debate político. Daí adviriam sua retórica inflamada e implacável, temida pelos rivais e admirada pelos seguidores.
Já "JK" representaria a essência do "político mineiro", habilidoso, conciliador, articulador capaz de aparar arestas e conviver com adversários que via como potenciais aliados. Não resta dúvida de que a construção da mineiridade revelou-se eficaz ao projetar o mineiro como elemento indispensável no concerto político nacional.
Carlos Lacerda simbolizava um tipo de oposição marcada pela virulência dos ataques, verdadeira metralhadora giratória que mudava de alvo sem parar de atirar, Lacerda conserva até hoje o epíteto de "demolidor de presidentes" e continua a ser uma poderosa referência para políticos influentes no cenário nacional. JK também ocupa um lugar de destaque nesse seleto clube de políticos do passado que servem de modelo e inspiração para o presente. Só que, ao contrário de Lacerda, figura na galeria dos "conciliadores", daqueles que entendem a política como a arte de negociar."
Dois estilos bem diferentes que se desaguam na atual Campanha eleitoral para a Presidência do Brasil.
O estilo do falecido Eduardo Campos em contraponto com o de sua Vice, atual cabeça de Chapa Marina Silva.
Neste cenário que se desfralda fiquemos então com a máxima do Dr Tancredo Neves, quando ainda costurava a colcha de retalhos de sua eleição à Presidência via Colégio Eleitoral.
Recordemos que tanto JK, como Tancredo tiveram mortes prematuras que provocaram comoção nacional, como os inexplicáveis acidentes aéreos que ceifaram a vida do Dr. Ulisses Guimarães e, agora,de Eduardo Campos.
A análise da Matemática Eleitoral de Tancredo é perfeita, uma realidade incontestável para a o Momento Atual.
Passados tantos anos e, diante de outra morte trágica que suprimiu uma vida tão valiosa como, agora, a de Eduardo Campos.
Um equivoco contraria as lições de Tancredo:
A nova candidata Cabeça de Chapa do PSB (+ REDE), a Ex-senadora Marina Silva comete um verdadeiro suicídio político ao desprezar a força do dialogo e da conciliação.
Armas imbatíveis em qualquer Eleição.
A presidenciável Marina despreza apoios fundamentais confiante, apenas, nos 20 Milhões de votos da Eleição Passada e, na Morte de Eduardo.
Convenhamos Pernambuco sozinho, não dá conta de leva-la a Presidência, a menos que concilie com outros estados da federação.
Desfazem-se os pontos e tramas habilmente costurados por Eduardo Campos, em apenas dez meses de campanha.
Desfaz-se, inclusive, um aceno de Campos a Aécio Neves de que num provável Segundo Turno, PSB e PSDB virem a convergir para um mesmo caminho, o Caminho da Vitória.
O único Caminho que nos interessa agora.
Neste equivoco, ainda bem, que Tancredo está do outro lado.
Do nosso lado!